REDES DE FORMAÇÃO

Um programa de formação pedagógica para educadores, mediadores e público interessado, abordando conceitos fundamentais da 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre em encontros, workshops, convocatórias, residências e conferências.

A metáfora do micro-organismo – elementos vivos que, com grande capacidade de expansão e adaptação, influenciam o que está por vir – é a que melhor explica a educação na 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre. Considerada um organismo vivo dentro e fora dos espaços expositivos, a educação é uma força, um estado de espírito, é afeto e nos afeta, é pensamento e ação. Ao considerar isso, o projeto pedagógico da nona edição quer fazer da experiência algo significativamente transformador. Para isso, apresentamos uma série de ações e atividades que tem como coluna vertebral o programa Redes de Formação.

Iniciativa integrada para formação de mediadores, professores e público curioso, além de interessado em arte, o programa propõe a criação de uma rede de conhecimento ativada a partir da articulação dos diferentes públicos em torno de temas presentes na proposta conceitual da 9ª Bienal, explorando suas relações com a prática cotidiana e suas formas de atuar no mundo.

Entre as atividades que acontecem de maio a novembro de 2013, estão encontros e diálogos com artistas, curadores, técnicos, trabalhadores, cientistas e intelectuais; workshops; conversas de campo; residências para mediadores e educadores; e intercâmbios com universidades. Também fazem parte do programa uma plataforma de ensino à distância para realização de atividades de formação, fóruns de debate e o lançamento do livro A nuvem, que conta com textos sobre natureza, cultura, ciência, arte e mediação. O material educativo para educadores e professores, Manual para curiosos, foi lançado em agosto de 2013, e é composto por um livreto, quatorze imagens de obras e oito cartazes sobre instrumentos científicos.

O projeto Conversas de Campo completa as atividades do programa Redes de Formação. Trata-se de uma série de viagens para diferentes lugares do Rio Grande do Sul com o objetivo de descentralizar a 9ª Bienal não apenas espacialmente, mas conceitualmente, saindo do campo estrito da arte para entender como processos gerados em outras áreas também nos movem e afetam.

A 9ª Bienal, ao focar sua visão curatorial na interação entre natureza e cultura, e também na maneira como artistas percebem essa relação e seus desvios, se apresenta como um projeto de caráter amplamente educativo. Dessa forma, além das ações do Redes de Formação, o projeto pedagógico da 9ª Bienal realiza a Escola Caseira de Invenção – misto de oficina de inventos, espaço de trabalho, ateliê e laboratório –, que foca em atividades ligadas a temas como tecnologia, invenção, gambiarra e processos poéticos em arte e educação. Sediada no Memorial do Rio Grande do Sul, a Escola Caseira de Invenção funciona no período da mostra, de 13 de setembro a 10 de novembro. Para novembro, está programado o simpósio Educação como encontro: alguém sabe algo, alguém sabe algo mais, que vai colocar em discussão a educação como um evento (ou um espaço) no qual as pessoas se encontram, onde cada um sabe algo que falta ao outro, e vice-versa. Este projeto abordará a prática educacional, sua natureza dialógica e suas relações éticas.

O Projeto Pedagógico também está diretamente envolvido na realização dos Encontros na Ilha e é responsável pela criação, produção e realização da convocatória pública Invenções Caseiras.

O Redes de Formação só é possível devido ao apoio, ajuda, colaboração e afeto de: Centro Cultural CEEE Erico Verissimo; Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho; FLOEMA – Núcleo de estudos em estética e educação, Fundação Vera Chaves Barcellos, Grupo Patafísica: mediadores do imaginário, IAB-RS, Inhotim – Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico, Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, Memorial do Rio Grande do Sul, Memorial dos Povos Indígenas, Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS, Santander Cultural, Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, Secretaria Municipal Da Cultura De Caxias Do Sul, Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Unisinos, Usina do Gasômetro.

Encontros na Ilha

Uma série de discussões que acontecem na ilha deserta popularmente conhecida como ilha do Presídio, localizada no Guaíba, próxima a Porto Alegre.

Considerada uma força gravitacional da 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre, a ilha das Pedras Brancas, também conhecida como ilha do Presídio, foi uma prisão política durante a ditadura no Brasil. Seu edifício único, construído em 1956, esteve abandonado por muito tempo e, pouco a pouco, o clima desfez a sua arquitetura e acesso. Embora os Encontros na Ilha ancorem ali, a ilha não é um local para a arte site-specific. Ao invés disso, a ilha é espaço para embarcar em uma viagem através da extemporaneidade da invenção, revisitando momentos de rejeição de pensamentos radicais e impulsionando novas descobertas.

Encontros na Ilha é uma série de viagens mensais até a ilha do Presídio, de maio a novembro de 2013. Para cada uma dessas viagens de campo, um grupo de cerca de dez artistas, intelectuais e educadores foi convidado a participar da discussão proposta no encontro. Cada um dos convidados contribui com dois textos: um antes da viagem, denominado Percepções, e outro depois da viagem e da discussão realizada, as Reflexões. Além desses textos, seis ensaios sobre ilhas e prisões foram comissionados como Inflexões do programa – seus autores são considerados os capitães dos encontros. Por fim, em cada encontro um artista contribui com suas Impressões visuais sobre ilhas em geral e sobre um encontro em particular. Todas as contribuições são publicadas progressivamente aqui no website da 9ª Bienal.

Embora a ilha não seja de fácil acesso ao público, esta publicação online é a principal plataforma para compartilhar Encontros na Ilha. Durante a exposição da Bienal – de 13 de setembro a 10 de novembro de 2013 – a Fundação Vera Chaves Barcellos sedia um meta-programa de Encontros na Ilha para marinheiros e o público em geral. Os interessados são incentivados a fazer o seu próprio piquenique, bem como trazer suas ideias, leituras e músicas sobre ilhas para ler ou cantar sozinho. Esses programas acontecem nos domingos seguintes a cada encontro. Para detalhes, consulte o calendário.

Portais, previsões e arquipélagos

A exposição da 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre aborda a arte como portais para outros mundos – imaginações, explorações e manifestações do que está abaixo e acima do plano social. Funciona como uma plataforma de lançamento para viagens às profundezas ainda inabitadas do mar, da terra e do espaço sideral, no tempo e no pensamento. Inclui trabalhos que são explorações estéticas em diálogo com a biologia marinha; estudos do inconsciente; caças ao tesouro; desastres naturais, movimentos tectônicos e atividades de mineração que provocam a mobilidade social e migrações biopolíticas; explorações aéreas relacionadas à tecnologia espacial, a partir de satélites, ficção científica e de estudos de nuvens e barreiras de som.

Além disso, a exposição apresenta projetos artísticos criados por colaborações entre artistas e empresas ou centros de pesquisa que trabalham com recursos naturais e/ou tecnologia avançada. Alguns projetos foram especialmente comissionados para a 9ª Bienal e criados no Brasil; outros foram originados em programas de comissionamento de obras de arte dos anos 1960 até o presente, envolvendo colaborações em todo o mundo. Esses projetos são Máquinas da Imaginação – inspiram e mobilizam, sendo formalmente estranhos e materialmente improváveis se não fosse a colaboração. Parte deles são apresentados em uma série de palestras, recitais e performances denominada Ekphrasis: são projetos baseados no tempo ou no processo, efêmeros ou destrutíveis, de natureza praticamente invisível, ou simplesmente delicados ou monumentais demais para serem transportados.

A exposição também inclui obras de arte, performances e outros eventos que estão no espaço intermediário ou mesmo fora das ideias descritas anteriormente, mas que, no entanto, tornaram possível muito do que nós experimentamos e produzimos hoje. Alguns dos seus autores são considerados forças gravitacionais na hipótese curatorial, e algumas das obras são arquipélagos, ilhas conceituais ou dólmens dentro da exposição.

Em consonância com os esforços da curadoria e os projetos artísticos, a estratégia de comunicação da 9ª Bienal reflete sobre as mudanças históricas na tecnologia de comunicação ao longo dos séculos. Informações são transmitidas e experimentadas em diversos canais de mídia para compartilhar notícias sobre a Bienal e servir como ferramentas criativas de mediação entre seu conteúdo e sua forma, a instituição e seu público. Entre os canais de mídia e estratégias utilizados estão sinais de fumaça, telegramas, pombos correios, mensagens na garrafa, transmissão de rádio, entre outros.

A 9ª Bienal do Mercosul | Porto Alegre não tem logomarca específica; em vez disso, o estúdio de design Project Projects criou um sistema tipográfico especialmente para a edição, denominado Porto Alegre. O conjunto de símbolos adapta pictogramas retirados de diferentes contextos científicos – desde cartas meteorológicas e mapas de condições climáticas até versões prototípicas da tabela periódica. Ao referenciar um amplo espectro de significados, cada letra atua como um microcosmo de tradução e comunicação codificada.